Como eu posso utilizar citometria de fluxo no laboratório clínico?

A citometria de fluxo é uma técnica plural que consegue auxiliar tanto no contexto clínico, como no de pesquisa científica. Porém, nesses dois cenários, duas aplicações são um pouco diferentes. Você sabia disso?

Quando falamos em citometria de fluxo no laboratório clínico, devemos pensar nas seguintes aplicações:

  • Imunofenotipagem para classificação de neoplasias hematológicas
  • Hemoglobinúria Paroxística Noturna, a famosa HPN
  • Quantificação de células CD34 para transplantes de medula óssea
  • Acompanhamento de pacientes imunossuprimidos
  • Avaliação plaquetária
  • Cross-match para transplantes
  • Reprodução humana

Imunofenotipagem para diagnóstico de neoplasias hematológicas

Utilizando a citometria de fluxo, é possível avaliar as células hematológicas de maneira mais profunda, quando comparada com a análise citomorfológica. Isso porque conseguimos avaliar marcadores expressos por essas células, sendo capaz de classifica-las e quantifica-las quanto a linhagem e grau maturativo, além de observar alguns sinais que indicam anormalidade celular.

Por fim, é possível dizer: existem X% de células da linhagem Y que são anômalas, o que é indicativo da doença W.

Aliás, você sabe a diferença entre leucemias e linfomas? Podemos te ajudar, clica aqui.

Hemoglobinúria Paroxística Noturna, a famosa HPN

A HPN é uma anemia hemolítica adquirida que ocorre pela deficiência de uma proteína na superfície das células hematológicas. Havendo essa deficiência, algumas proteínas, como o CD55 e o CD59, não conseguem se ligar as células, o que leva-as a morte.

Podemos verificar e quantificar, por citometria de fluxo, a existência e o tamanho do clone de células anormais.

Para saber mais sobre a HPN, você pode dar uma olhada aqui.

Quantificação de células CD34

Você já deve ter ouvido falar que existem células da medula óssea que são “células mãe”, ou seja, células indiferenciadas que podem gerar todos os tipos celulares. Essas células são chamadas de “stem cells“. Elas são positivas para CD34.

Quando realiza-se um transplante de medula óssea, é necessário infundir no paciente células saudáveis que repovoem a medula óssea dele. Para isso, utilizam-se células CD34 (stem cells). Elas irão repovoar a medula óssea do paciente e se diferenciar em todas as linhagens hematopoéticas.

Beleza, mas o que a citometria tem a ver com isso? Utilizando a citometria de fluxo, podemos quantificar essas células CD34 antes que sejam infundidas no paciente, por exemplo. Dessa maneira os médicos são capazes de dizer se existem células suficientes para serem transplantadas.

Acompanhamento de pacientes imunossuprimidos

Uma das principais aplicações da citometria no laboratório clínico é a quantificação de linfócitos T auxiliares (CD4) e T citotóxicos (CD8) em amostras de pacientes imunossuprimidos, principalmente portadores do vírus HIV. Fizemos um conteúdo completo sobre isso na nossa coluna sobre citometria de fluxo na Revista NewsLab. A matéria completa você encontra aqui.

Avaliação plaquetária

O estudo de plaquetas por citometria avalia qualitativa e quantitativamente a expressão de receptores de superfície plaquetária.

As plaquetas são marcadas com anticorpos monoclonais fluorescentes. Essa fluorescência é medida e a intensidade da luz emitida é diretamente proporcional ao número de anticorpos ligado aos receptores / antígenos plaquetários. Essa aplicação no da citometria pode auxiliar no diagnóstico de vários distúrbios plaquetários herdados e adquiridos; como doença de Bernard Soulier, doença de von Willebrand, doença de Glanzman e entre outras.

Cross-match para transplantes

Essa aplicação aqui é utilizada no transplante de orgãos sólidos!

A técnica de cross-matching por citometria envolve a mistura de linfócitos do doador, soro imunológico do receptor e anticorpos marcados com fluorescência em um único tubo. Os anticorpos utilizados são específicos para o HLA doador e vários marcadores específicos de células T e células B (por exemplo, CD3, CD5 e CD8 para células T e CD19 e CD20 para células B).

Dessa maneira, os linfócitos do doador podem interagir com os anticorpos do receptor. Caso haja ligação entre eles, temos um cross-match positivo.

Reprodução humana

Essa talvez seja a aplicação mais recente da citometria de fluxo no laboratório clínico.

A técnica pode avaliar espermatozóides em diversos tipos de ensaios, como por exemplo: análise de viabilidade e status acrossomal.

Quer saber mais sobre essa nova aplicação? Da uma olhada nesse conteúdo.

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